#7
O tempo tem passado
Impiedoso e cheio de manhas
Mas certeiro e
Senhor de si
.
Tem deixado os ossos cansados
E a memória ocupada
O coração inquieto ao relento
Descoberto contra as intempéries
Dos dias
.
Tem levado as alegrias
Que vem, cada vez mais,
Em menores doses
Em goles sorvidos lentamente
Quase como que com dor
Fazendo assim,
Perderem o seu propósito
.
Quase tenho perdido as esperanças
Que um dia floresceram em mim
E nem ao certo mais sei como são
Pois os dias parecem iguais
Longos demais
Uma reprise desnecessária
.
A calma reside distante
E a paz não encontra com o espírito
Dias de cão
De solidão atroz
Indesejável sensação
.
Mas há sempre alguém
Em algum lugar
Disposto a não te deixar entregar as pontas
No final das contas
E por isso é preciso estar aberto até o final
Para o que vier
Pois para o amor
É preciso estar alerta.
Você diz, no slogan do seu blog, “poesias para as pequenas coisas da vida”. Entretanto, faz do amor e do tempo poemas muito verdadeiros. Será que amor e tempo são “pequenos”? Pois pra mim, cético em Deus, são o que governam o mundo!
Tanto que me permito expressa-los em poesias também. Se quiser dar uma lida nelas, veja no meu site http://gustavodutra.com/poesias
Espero que goste tanto quanto gostei das tuas.