Um post diferente – sobre a amizade

O ser humano, por vezes, se acha imortal. Age como se fosse imortal. E meio sem querer pensa assim sobre os entes queridos. Sobre os animais de estimação. Esquecendo-se de que a vida é algo frágil e finito.
Hoje foi um dia difícil para as pessoas da minha família. Já tivemos muitos bichos de estimação: cães, cavalos, gatos, etc. A vida no interior tem dessas coisas. Alguns duraram muito. Outros pouco tempo. Mas hoje perdemos mais do que um animal de estimação. Perdemos um verdadeiro amigo.
Izzy estava conosco há quase nove anos. Veio para nossa casa depois que perdemos outro cachorro, vítima de um ataque de uma arma de chumbinho. Como meu irmão menor era ainda pequeno, minha mãe tratou logo de procurar um novo filhote para animar seu caçula. Assim, um tio meu, naquela mesma noite, trouxe o Izzy para nós. Parece que foi ontem. De verdade.
Izzy era um cachorro esperto. De verdade. Nunca havíamos tido um animal assim. Quase racional eu me atreveria dizer. Quem o conheceu sabe que é verdade. Lembra quando dizem: “esse aqui só falta falar”? Izzy era a prova de que a frase é verdadeira. Com os olhos ele já dizia se estava bem ou se havia algo de errado.
Nunca vou me esquecer de como ele recepcionava qualquer pessoa de casa que voltava de algum lugar da rua. Ele vinha quase que rebolando de felicidade soltando um latido peculiar. Não sei quem vai me recepcionar quando eu voltar amanhã da faculdade. Vai ficar aquele vazio. Ele estava sempre esperando alegre na entrada de casa quando ouvia o carro chegar. Izzy era o xodó de casa. De todos.
Há três dias ele brigou com um cachorro bem maior que o seu porte. Outro dos nossos cães. Um dos dois cães de rua que adotamos. Quando vi, ele estava tentando se defender, em vão. A cena não me sai da cabeça. Gritei e o cão maior saiu de cima do Izzy. Ele estava literalmente arrebentado. Chamamos o veterinário. Foram muitos pontos no pescoço dele. Não era bonito de ver. Durante três dias fizemos o possível. Cuidamos dele. Mas a situação só ficava pior. Hoje pela manhã ele estava praticamente entregue. Estava sem forças por não conseguir comer e por ter perdido muito sangue. Mais uma vez recorremos ao veterinário. Foram mais remédios e antibióticos. Tudo em vão. Agora há pouco ele deu um último e alto suspiro que doeu no coração
Um detalhe do acontecimento de ontem de noite: Depois que o Izzy morreu (algo tipo 5 segundos depois), nosso gato entrou na sala onde ele estava. Os dois se davam bem. O gato foi criado com Izzy junto dele sempre. Mas não havia chegado perto do Izzy nesse estado em momento algum antes disso. Ele entrou lá naquela hora. Quando Izzy morreu. Até hoje de manhã não se ouviu nada dos outros cães. Nem o canário da mãe cantou. Nem o gato ficou miando por aí. Foi uma espécie de luto coletivo entre os animais da casa. Izzy era demais.
Provavelmente haverá alguém que acha tudo isso um exagero. Mas haverá alguém que teve ou tem um amigo assim e me entenderá. Penso que devo essas palavras a ele como símbolo dessa amizade e companheirismo. Ele merece.
Obrigado pelas memórias, bichano.
Sentiremos a sua falta.
Li seu texto sobre o Izzy, que bela homenagem.Força aí amigo !
Muito bom seu blog. Abração